quinta-feira, 1 de abril de 2010

Chuva e saudade


E hoje chove viu! Faz tempo que não vejo uma chuva como a de hoje, a Conde da Boa Vista parece o piscinão de Ramos. Os pedestres ficaram ilhados nos pontos de ônibus, levando jatos d'água na frente e atrás, tem gente que sobe nos acentos das paradas pra se proteger da água. Deixa eu explicar, a Av. Conde da Boa Vista recebeu recentemente uma grande reforma, péssima por sinal. Nas palavras de Samarone Lima:
"A Conde da Boa Vista, depois de uma reforma desastrada, ano passado, se tornou uma unanimidade. É ruim para os motoristas de ônibus, de táxi, para quem pega ônibus, para quem vai de carro ao centro, uma tragédia para deficientes, velhos, cansados, e principalmente para quem tenta atravessá-la, a qualquer hora do dia. Certamente, uma das piores obras de engenharia que já se produziu por aqui".
As pessoas que estavam na fila do consulado americano todos elegantíssimos, ostentando suas jóias e seus sapatos de grife estavam com água nos tornozelos, conversei com um rapaz que estava na fila acompanhado de sua avó, uma senhora muito simpática por sinal, ele me falou que aquela água estava suja, "cheia de barata e de rato, e a direção do consulado não deixa-os entrar pra aguardar dentro". Quem se deu bem foi o vendedor de guarda-chuvas em frente ao consulado, esse tava com um sorriso da largura da boca.
Essa chuva toda está parecendo um castigo dos céus por estarmos trabalhando hoje. Recife desde ontem cheira a feriadão, e também pudera, as pessoas ansiavam pela chegada da páscoa, essa é uma época que tem comidas típicas deliciosíssimas, não falo só de chocolate, mas dos peixes, frutos do mar, todos no molho de coco, ainda tem, quibebe, arroz doce, um feijão processado muito bom, umas folhas de bredo, grãos de bico, salada de bacalhau, e entre outros. Lembro da minha infância na casa da minha avó, ela levava a sério todas as comemorações, e na semana santa não era diferente, além de todos esses pratos que falei, tinha também os doces, cada compota mais gostosa que a outra, os bolos e pães merecem uma crônica só pra eles. Era tanta coisa que não cabia na mesa, e quando acabávamos de almoçar, ela tirava a mesa e colocava outra só de doces, depois vinha o café. Esse ritual terminava lá pras tantas da tarde. Não tem como chegar essas festas e não lembrar da Dona Mira. Quanta saudade!

Nenhum comentário:

Postar um comentário